Friday, February 8, 2013

Poesia de Andaime #8

Vamos terminar hoje a partilha da poesia de andaime com os 3 últimos capítulos do livro que são curtinhos e em separado saberiam a pouco.


Primeiro temos o "Quem desdenha quer comprar":


"Nunca antes se haviam encontrado vestígios de poemas de trabalhadores da construção civil com um
nível de escolaridade igual ou superior ao antigo quinto ano de liceu. Neste pequeno capítulo o leitor
vai ler poemas de indivíduos que claramente frequentaram, pelo menos, o segundo ano de faculdade.
Neles podemos ver a aplicação prática de técnicas avançadas de psicologia invertida numa corriqueira
frase de engate.

92. Não és nada de se deitar fora, já tive pior e a pagar.
93. Podes não ser a rapariga mais gira, mas com a luz apagada também é bom.
94. Ó filha, tens carinha de modelo mas o teu cu é um continente.
95. Com umas bóias dessas o Titanic não tinha ido ao fundo.
96. Com um piso desses deves ser mais rodada que a 2ª Circular."




Depois, o capítulo "Simples e bonito" que é isso mesmo, simples e bonito:

"97. Ó filha, anda cá dar um beijinho ao trolha"



Terminamos com o 10º capítulo: "Quando a canção falha":


A rejeição é o pior dos inimigos. O estômago revolve-se e vem ao de cima um sentimento de angústia e
desagrado. O balde de água fria da ribeira que explode como uma pequena bomba de cariz nuclear.
Nesses instantes de loucura soltam-se palavras amargas de vingança e olhares frios de desdém.

98. Ai não queres? Eu vi logo, gorda como estás é porque não suas muito.
99. Mau? Mau o quê? Disse algum disparate ou chupas aqui mesmo?
100. És mesmo esguia, pareces uma sereia: metade mulher, metade baleia.
101. Ó filha, com menos cu também se caga.
102. Ó filha, se o teu cu fosse uma torrada, precisava de um remo para o barrar.
103. Também só queria saber o teu nome para quando me masturbar saber em quem estou a pensar.
104. Ó filha, só não sou teu pai por quinhentos paus.
105. Ó filha, com esse atrelado só com carta de pesados.



Agradeço ao irmão Bueno que partilhou comigo este maravilhoso livro e ao Luís Coelho (que não faço ideia quem seja) que teve o trabalho de recolher e escrever os textos.


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