Monday, February 4, 2013

Poesia de Andaime #5

Voltemos à poesia dos trolhas, esses sábios da arte de mandar piropos às belas donzelas que pelos andaimes passam.

O capítulo 5 trata "A subtileza do povo".


"Apesar das vestes rurais de trabalhador da construção civil, das marcas de suor que desenham pequenos
testes de Rochard nas camisolas de alças brancas e amarrotadas e de uma voz arranhada pelos anos, o
homem das obras também tem coração. Muito por causa das pressões da sociedade mas sobretudo de
certos e determinados indivíduos que não permitem ao simples homem das obras seguir as pisadas de
um Camões ou de um Pessoa, os registos desta face da poesia de andaime são escassos e pouco
documentados.

Procurando encontrar um ponto de transição mantem um equilíbrio de forma e estilo entre correntes
poéticas, nos primeiros anos de andaime, muitos são os que não se libertaram completamente das
inibições da poesia trágico-tropical trovadoresca. Declamam versos suaves que por vezes se confundem
com cartas de amor renascentistas.

67. Ia até ao fim do mundo por um dos teus sorrisos, e ainda mais longe pela outra coisa que podes
fazer com a boca.
68. Estou a lutar desesperadamente contra o impulso de fazer de ti a mulher mais feliz do mundo.
69. Sabes onde ficava bem a tua roupa? Toda amarrotada no chão do meu quarto.
70. Só a mim é que não me calha uma destas na rifa"


Recolha e Textos de Luís Coelho 

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